A jornada histórica de João Fonseca em Roland Garros ganhou um novo e decisivo capítulo neste domingo. O tenista carioca de 19 anos derrotou o norueguês Casper Ruud, 16º do ranking mundial e especialista em saibro, por 7/5, 7/6 (10/8), 5/7 e 6/2, após 3h55min de jogo na quadra Philippe Chatrier. Com o resultado, Fonseca se torna o primeiro brasileiro a chegar às quartas de final da chave masculina em Paris desde Gustavo Kuerten, em 2004, encerrando um jejum de duas décadas.
A vitória tem peso simbólico e estatístico. Ao superar Ruud, Fonseca não apenas confirma a ascensão meteórica que o colocou entre os 30 melhores do mundo, mas também inscreve seu nome ao lado de ídolos nacionais em um torneio que sempre foi o mais generoso com o Brasil no circuito profissional. Nas quartas, ele terá pela frente o tcheco Jakub Menšík, que eliminou o russo Andrey Rublev por 3 sets a 1, com parciais de 6/3, 7/6 (8/6), 4/6, 2/6 e 6/3.
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O caminho até aqui já é, por si só, notável. Na rodada anterior, Fonseca protagonizou o maior triunfo da carreira ao vencer Novak Djokovic de virada, em cinco sets, tornando-se o primeiro brasileiro a derrotar o sérvio. A sequência de vitórias sobre dois top 20 em um mesmo Grand Slam projeta o jovem como uma das principais promessas da nova geração do tênis mundial.
A partida teve a presença do tricampeão Gustavo Kuerten, que acompanhou a disputa de perto.
O eco de Guga e o legado brasileiro em Paris
A presença de Fonseca nas quartas reaviva o legado de Gustavo Kuerten, o maior nome do tênis brasileiro na história de Roland Garros. Guga disputou cinco edições em que avançou ao menos até as quartas de final (1997, 1999, 2000, 2001 e 2004), conquistando três títulos (1997, 2000 e 2001).
O Brasil tem em Roland Garros seu Grand Slam de maior tradição. Antes de Guga, Maria Esther Bueno abriu caminho na década de 1960, conquistando dois títulos em simples (1960) e sendo vice em 1964. Thomaz Koch também deixou seu nome na história ao vencer o título de duplas mistas em 1975. Somadas todas as categorias, o país acumula oito títulos no torneio francês, o melhor desempenho entre os Grand Slams.
Após a era Kuerten, o Brasil demorou 14 anos para voltar a ter um tenista em uma semifinal de Grand Slam em simples, feito alcançado por Beatriz Haddad Maia em Roland Garros, em 2023. A campanha de Fonseca, portanto, não é apenas um salto individual, mas um marco coletivo que reafirma o saibro como terreno fértil para o talento brasileiro.
Próximo desafio
Agora, João Fonseca tem a chance de quebrar mais um jejum: uma vaga na semifinal masculina, algo que o Brasil não alcança desde Guga em 2001. O duelo contra Jakub Menšík será o primeiro confronto oficial entre os dois.

