Luisa Stefani teve, nesta segunda-feira (14), confirmada sua chegada ao top 3 do ranking mundial com o terceiro lugar da tabela de duplas da WTA após a semifinal do US Open, quarto e último Grand Slam da temporada.
A paulistana tornou-se a primeira brasileira da história a ocupar um posto entre as três melhores do mundo no ranking da WTA desde que foi inaugurado, em 1974. Maria Esther Bueno, multicampeã de Grand Slam, foi considerada a melhor do mundo durante parte da década de 60, mas na época não havia um ranking oficial.
A tenista fez uma reflexão sobre a temporada com quatro semifinais de Grand Slam, sendo uma final em Wimbledon, três títulos, segunda melhor dupla da temporada, além de seu último resultado no US Open, quando esteve perto de uma vaga na decisão.
“Dois anos atrás se me dissessem que eu teria o ano que estou tendo hoje, perdendo na semifinal com vantagem no tie-break, eu assinaria mesmo assim sem pensar duas vezes. Tenho que levar por esse lado, entender o que acontece. Às vezes é indescritível, não consigo explicar, às vezes assisto o jogo, pergunto como que perdeu, mas ao mesmo tempo é o que deixa o esporte tão maravilhoso e legal ao mesmo tempo e tenho sorte de me colocar nessas posições”, afirmou Luisa, patrocinada pela Prudential Brasil, Bradesco, Parmalat Whey Fit e Slyce e os apoios da Liga Tênis 10, Bolsa Atleta, Head e JFL.
A atleta disputa esta semana o SP Open, torneio WTA 250 e maior evento do país, jogado em sua cidade natal, onde defende o título conquistado com a húngara Timea Babos. Esta edição ela joga ao lado da canadense Gabriela Dabrowski, sua fiel escudeira, com a qual fez a final de Wimbledon, mais três semifinais de Grand Slams e faturou três títulos somente este ano.
“Existem grandes torneios pela frente, mas, no momento, valorizo imensamente a chance de jogar em casa. A recepção do público tem sido extremamente positiva e é um privilégio compartilhar tudo isso”, apontou.
“Vir a São Paulo é muito mais do que buscar um resultado. No ano passado, tivemos uma semana incrível e compartilhar aquele título com as brasileiras na final foi memorável. Para mim, este evento celebra a grandiosidade do tênis feminino, a união dos torcedores e a importância de inspirar as próximas gerações. Como tenista profissional, espero retribuir esse apoio e mostrar o que vivemos para alcançar o sucesso. O papel da imprensa em promover essas oportunidades é fundamental para que o público conheça nossa realidade.”
Luisa também destacou o crescimento do tênis feminino no Brasil: “É incrível. Temos torcedores brasileiros por todos os lugares do mundo e ouso dizer que temos grandes personalidades do tênis feminino, entre elas a Naná e a Vitorinha que são estrelas que mesmo começando a carreira estão fazendo muita coisa e tendo sucesso em nível mundial. Elas super agregam no crescimento do tênis feminino para as meninas mais novinhas se espelharem nelas também, são super carismáticas, autênticas e nós no profissional tentando retribuir para conseguir os melhores resultados. Pra mim é bom ter representatividade nos maiores torneios do ano, levar o Brasil nos Grand Slams, Olimpíadas, Pan, BJK Cup para a gente conquistar nosso espaço e assim, como eu individualmente, continuamos batendo na porta que uma hora ela vai abrir. O importante é estar na direção correta, sonhar grande que uma hora as coisas vão vir, se não vier de primeira, segue tentando, que uma hora vai dar”.
Stefani e Dabrowski estreiam contra uma dupla brasileira formada por Marjorie Souza e Rebeca Pereira, ainda sem data definida.
Fazendo história no tênis – A paulistana Luisa Stefani, 28 anos, conquistou ao lado parceira Laura Pigossi, a inédita medalha de bronze nas Duplas Femininas nos Jogos Olímpicos de Tóquio em 2021. Outra grande conquista foi o título de Duplas Mistas no Australian Open, em 2023, a primeira dupla de brasileiros a vencer um Grand Slam, ao lado de Rafael Matos. Em 2022, foi campeã do WTA 125 de Montevidéu, WTA 1000 de Guadalajara e WTA 250 de Chennai. Em 2023, WTA 500 de Berlim, WTA 500 de Abu Dhabi, WTA 500 de Adelaide. Iniciou a temporada 2024 em grande estilo, ganhando o WTA 1000 de Doha, no segundo torneio jogando ao lado de Demi Schuurs, além de fazer quartas de final no US Open e no Australian Open ao lado da holandesa. Foi semifinalista nos WTA 500 de Berlim e Estrasburgo. Em 2025 ganhou quatro títulos ao lado da húngara Timea Babos com canecos no SP Open, além dos WTAs 500 de Linz, na Áustria, Tóquio, no Japão, e Estrasburgo, na França. Foi quadrifinalista do US Open e foi à decisão do WTA Finals, torneio com as oito melhores do ano que disputou pela primeira vez. Em 2026, retomou a parceria com a canadense Gabriela Dabrowski. Depois de chegar às semifinais do Australian Open e Doha, a nova dupla conquistou o título de Dubai e Luisa voltou a figurar no top 10 do ranking mundial. Na segunda quinzena de maio, Luisa conquistou o bicampeonato em Estrasburgo, na França, no final de junho ganhou o WTA 250 de Eastbourne, na Inglaterra, e em julho foi vice-campeã de Wimbledon. Em setembro foi semifinalista do US Open e subiu para número 3 do ranking mundial.
Início da carreira – Luisa sempre foi uma amante dos esportes e começou a jogar aos 10 anos, em São Paulo (SP). Em 2011, se mudou para os Estados Unidos para estudar e seguir no tênis, atingindo o 10º lugar no ranking mundial juvenil. A transição do juvenil ao profissional se deu por meio do forte Circuito Universitário Americano de Tênis, jogando pela Pepperdine University, na Califórnia. Em 2019, conquistou o primeiro título no WTA de Tashkent, entre outros ITF e WTA. Daí para frente, foram várias conquistas, subindo no ranking mundial, chegando a ocupar a nona colocação.

